Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... 'O Guardador de Rebanhos' (1911-12), Fernando Pessoa (1888-1935)

 

Como turistas nas Galápagos, desfrutamos de um lugar onde a vida natural parece existir em todo o seu esplendor. Passeamos pelo arquipélago de barco ou de avião, caminhamos por vezes pelo campo em viagens organizadas, temos acesso a miradouros de onde, a uma distância segura, podemos admirar a paisagem e a vida natural. Algumas Ilhas são desabitadas e, para nós, a sua atração reside, em parte, no facto de sabermos que se encontram ameaçadas.

As minhas fotografias das ruas e das casas de Puerto Ayora e de Puerto Baquerizo Moreno questionam as generalizações exageradas tantas vezes aplicadas às Galápagos, especialmente porque, na realidade, foram feitas em locais fora do Parque Nacional das Galápagos, onde não vigoram as leis da preservação.

Os emigrantes mais recentes do continente equatoriano vivem nos arredores de La Cascada, um bairro de Puero Ayora. Começaram a chegar nos últimos 25 anos, atraídos pela perspetiva de uma vida melhor, e ganham a vida graças à indústria do turismo: conduzem táxis e barcos, trabalham em restaurantes, lojas e pequenos hotéis, fazem limpezas e trabalhos de lavandaria. A ida para o arquipélago deu-lhes a oportunidade de construírem as suas próprias casas, um esforço pacientemente concretizado ao longo de meses ou mesmo anos, usando as suas economias, imaginação e aptidões - uma trabalho árduo de dedicação, normalmente possível com a ajuda de amigos ou de familiares durante os fins de semana.

Estradas de betão e pavimentos, candeeiros de rua e casas de tijolo são melhoramentos importantes para o nível de vida e bem-estar dos habitantes das Galápagos. Contudo, o aumento da população do arquipélago constitui uma ameaça constante ao seu frágil ecossistema. Todos os materiais que sustentam a vida humana têm de ser transportados do continente, desde água e alimentos até mercadorias consumíveis necessários para satisfazer as necessidades da indústria do turismo. Todas estas contradições parecem contar uma história que já conhecemos: a luta pela salvaguarda da singularidade das Galápagos colide com o nosso modo de vida ocidental, com a forma como ocupamos os nossos lugares e com a nossa incapacidade de vivermos em harmonia com a natureza.